A Igreja crê que Maria Santíssima foi preservada de todo o pecado por
intermédio dos méritos de Jesus Cristo nosso Salvador. O catecismo ensina que:
CIC 492 – Esta santidade resplandece,
absolutamente única da qual Maria é “enriquecida desde o primeiro instante de
sua conceição” lhe vem inteiramente de Cristo: “Em vista dos méritos de seu
Filho, foi redimida de um modo mais sublime. Mais do que qualquer outra pessoa
criada, o Pai a “abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em
Cristo” (Ef 1,3).
Isto é, o que professamos é que Maria foi salva pelo Senhor em vista de
sua preservação do pecado. E por quê? Pois bem, a Igreja sempre entendeu que Jesus,
por ser o Emanuel, Deus conosco (Mt 1,23)
e Ele não possuir pecado, deveria ter nascido de um útero sem a mácula de
Adão e é nesse sentido que cremos que Maria não foi tomada pelo pecado e foi a
primeira a ser “Igreja”, por abrigar o Cristo em seu seio e a
primeira cristã por aceitar a obra que o Pai estava consolidando em sua vida (Lc 1,38).
A mãe do salvador (Lc 1,23)
foi à criatura preparada para ser a personificação da “nova arca da aliança”. A
arca mencionada no antigo testamento inicialmente esteve no tabernáculo erguido
por Moisés (Ex 26,33) e
posteriormente no Templo construído por Salomão (II Cr 5,7-8). No interior da Arca, existiam as tabuas da Lei (II Cr 5,10). Para manifestar seu poder
e sua glória, Deus tomava posse desses lugares de culto através de sua nuvem ou
“sombra” (Ex 40,34 / II Cr 5,13-14)
e ali, perante a Arca Ele se fazia presente (II Sm 7,18). Em Maria, sucederam as mesmas coisas. A sombra de
Altíssimo encheu com sua glória o ventre de Maria (Lc 1,35) e Deus ali se manifestou (Lc 1,32). Dentro da virgem estava a nova aliança que surgiria para
salvar o povo (Mt 26,28).
Embora
as sagradas escrituras não mencionem qualquer pecado que Maria Santíssima tenha cometido, um relato no evangelho
de Lucas nos causa espanto, já que, após dar a luz a um menino, segundo a lei
de Moisés, a mulher era considerada impura (Lv 12,2).
Assim diz as escrituras:
Lc 2,22 – E, cumprindo-se os dias da
purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o
apresentarem ao Senhor
Por conta dessa
passagem, há quem diga que a virgem tivesse possuído pecados já que ela seria
considerada impura após o parto, entretanto, devemos fazer algumas considerações
pertinentes a essa narrativa para entendermos se de fato sua impureza se tratava
de uma possível natureza pecaminosa ou, uma ação que deveria ser feita por
conta das obras da lei (Gl 2,16).
MARIA E JESUS ESTAVAM SOB A LEI
Quando a Virgem deu a
luz ao Salvador, tanto ela quanto o Cristo estavam sob as regras da lei de
Moisés, isto é, independente de Jesus ser Deus e independente de Maria ser a
mãe do Salvador, ambos deveriam se sujeitar as normas impostas, mesmo que em
alguns casos elas não fossem aplicadas, por exemplo, a Jesus que é Deus e por
ser ele o “verbo encarnado” (Jo 1,1),
o mesmo estaria acima de qualquer lei ou determinação humana.
Mas, sabemos que o
Messias se sujeitou as nossas condições e por esse motivo, viveu etapas da vida
de um homem comum para a época. Ele não precisaria se submeter a essas “leis”;
as fez por amor e por um exemplo a ser seguido. Sendo assim, faço as seguintes
perguntas:
- Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria ser “circuncidado” no oitavo dia? (Lc 2,21);
- Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria se “submeter” aos cuidados de Maria durante trinta anos, já que seu ministério iniciou após essa idade? (Lc 3,23);
- Jesus Cristo, sendo Deus, precisaria de uma profissão formal para se manter? (Mc 6,3);
- Jesus Cristo, sendo Deus e livre de qualquer pecado, precisaria ser Batizado? (Mt 3.13);
- Embora a gravidez de Maria Santíssima tenha sido por obra de Deus, já que ela concebeu sem conhecer homem algum (Lc 1,34), Jesus Cristo, sendo Divino, poderia vir ao mundo por muitas outras formas para nos salvar?
- Haveria a necessidade que a Virgem apresentasse Jesus Cristo no templo, mesmo ELE sendo Deus? (Lc 2.22).
As respostas para as
questões acima são simples por entendermos a grandeza do mistério de Cristo.
Jesus não precisaria passar por nenhuma dessas etapas por ser o próprio Deus,
porém, Ele quis que assim fosse, pois, o Salvador se fez como nós para que
fossemos libertos do pecado por sua morte na cruz. E o que isso tem a ver com
Maria? Bom, o fato da Mãe do Cristo ter passado por um processo de
“purificação” não demonstra que ela tinha pecados e sim, que estava sob a lei,
assim como Jesus estava.
Jesus sendo Deus, não
precisava se sujeitar a lei, mas, por humildade se sujeitou. Maria sendo a Mãe
de Deus e imaculada por conta dos méritos de seu filho que a salvou, também se
sujeitou a lei com muita humildade e viveu o seu tempo de “purificação” assim
como seus antepassados.
Para os menos avisados,
a Igreja Católica comemora com festa o dia da “purificação de Nossa Senhora”.
Paz e bem a todos!
Em Cristo Jesus;
Érick Gomes.
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